segunda-feira, 20 de julho de 2009

Sentimento Profissional


Só um dos ícones da literatura mundial do século XX - antes de ser o grande escritor consagrado que é, fora jornalista na Colômbia entre as décadas de 1940 e 1960 -, poderia expressar concretamente o que sinto, justamente quando tenho certeza de que, esta é a profissão que exercerei para o resto de minha vida. Isto, independentemente do cenário que paira sobre o jornalismo em nosso país. García Marquez dissertou aquilo que sente por ter vivido intensamente a profissão. Resta-nos apenas aprender com suas palavras.



"Porque o jornalismo é uma paixão insaciável que só se pode digerir e humanizar mediante a confrontação descarnada com a realidade. Quem não sofreu essa servidão que se alimenta dos imprevistos da vida, não pode imaginá-la. Quem não viveu a palpitação sobrenatural da notícia, o orgasmo do furo, a demolição moral do fracasso, não pode sequer conceber o que são. Ninguém que não tenha nascido para isso e esteja disposto a viver só para isso poderia persistir numa profissão tão incompreensível e voraz, cuja obra termina depois de cada notícia, como se fora para sempre, mas que não concede um instante de paz enquanto não torna a começar com mais ardor do que nunca no minuto seguinte."


Gabriel Garcia Marquez

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Herança do esquema PC-Collor em Maringá


Vejam só que fato curioso, caros leitores.


Enquanto estive lendo o livro "Notícias do Planalto - A Imprensa e Fernando Collor", de Mário Sérgio Conti - editor-chefe da Revista Veja durante o escândalo de corrupção que desmascararia a gestão de Fernando Collor de Mello, que durou de 1990 a 1992 - descobri precisamente no capítulo 31, uma das negociatas feitas pelo então tesoureiro do presidente Collor, Paulo César Farias.

Tal meandro se deu com a transferência do direito à publicação da Tribuna de Alagoas para Maringá, entre os anos de 1990 e 1991. Esta negociação foi realizada entre Farias e o empresário paranaense, José Carlos Martinez, detentor de uma rede de comunicação no estado .

Fica a pergunta: de qual publicação se trata? Continua em circulação?


sábado, 4 de julho de 2009

Simpatia de homenageada marca coletiva de abertura do Festival




Na última quinta-feira, dia 2, foi realizada entrevista coletiva no Salão Jacarandá, do Hotel Deville, para abrir o 6º Festival de Cinema de Maringá. A homenageada da edição deste ano foi a atriz curitibana, Simone Spoladore, 30 anos.
Com oito anos de carreira artística, desde sua estréia no longa-metragem “Lavoura Arcaica”, Simone falou por cerca de 40 minutos com jornalistas sobre a sua trajetória, desde o começo no balé clássico, estudando no Teatro Guaíra, passando pelo teatro, atuando em várias peças, e no cinema - área na qual diz sentir-se mais à vontade -, e chegando à televisão, quando estreou com a minissérie “Os Maias”, da Rede Globo em 2002.
Desde 2001, quando estreou em “Lavoura Arcaica”, a atriz autou em 20 filmes, sendo 14 longas e seis curtas-metragens. Só no ano passado, a curitibana participou da filmagem de três produções - ‘Elvis & Madonna’, de Marcelo Laffitte, ‘O Natimorto’, de Paulo Machline, ‘Insolação’, de Felipe Hirsch, ‘Duas da Manhã’ , de Eduardo Nunes. Destas películas produzidas no ano passado, nenhuma ainda foi lançada. Este ano contracenou na filmagem,'Não se Pode Viver sem Amor', cujo título é provisório, de Jorge Duran, e mais duas participações em filmes dirigidos por Helena Ignez: Canção de Baal e Luz nas Trevas. Lembrando que, Helena foi esposa do lendário diretor brasileiro, Rogério Sganzerla - consagrado pela produção ‘O Bandido da Luz Vermelha, de 1968 -, e Simone também atua em ‘O Gerente’, de Paulo César Saraceni.
Diante de tamanha intensidade na carreira, Simone Spoladore diz estar lisonjeada com o fato de ser agraciada com a homenagem este ano. “Vejo esta homenagem como estímulo, para fazer cada vez mais com mais integridade, mais consciência aquilo que estou fazendo.”, completa.

domingo, 28 de junho de 2009

Ícone editorial completa quatro décadas


Foram completados 40 anos na última sexta-feira do surgimento do semanário carioca O Pasquim. Aquele veículo que ficaria marcado como principal marco do jornalismo alternativo brasileiro no período do regime militar, teve sua primeira edição impressa em 26 de junho de 1969, quando chegou a marca de 14 mil exemplares. Seu embrião se deu com Milôr Fernandes, no encarte da revista Cruzeiro com a revista Pif-Paf, em 1964, durando apenas oito edições até então.

Com uma linguagem inovadora, descompromissada com os padrões técnicos e estílisticos vigentes dentro do jornalismo brasileiro, a elite intelectual do bairro de Ipanema estaria reunida para causar impacto no cenário editorial - Jaguar, Tarso de Castro, Sérgio Augusto, Milôr Fernandes, Ziraldo e Sérgio Cabral, entre os quais se juntariam posteriormente a Henfil, Paulo Francis e Ivan Lessa. Podemos ressaltar também o grupo seleto de colaboradores que fizeram parte da publicação como, Ferreira Gullar, Gláuber Rocha, Rubem Fonseca, Fernando Sabino, Chico Buarque.

Justamente ao sabor da vigência do Ato Institucional nº 5 que o jornal se sobressaiu como principal meio opositor à ditadura, chegando inclusive a atingir a venda de 200 mil exemplares. Uma acidez peculiar levou o grupo a imprimir uma visão sexista e preconceituosa no aspecto racial tanto a figuras proeminentes no cenário contemporâneo brasileiro, quanto questões de relevância à nossa sociedade.

A Editora Desiderata resolveu colocar no mercado uma edição comemorativa às quatro décadas do aparecimento de O Pasquim, repetindo a fórmula das compilações publicadas respectivamente em 2006 e 2007.

O jornalismo no Brasil não foi mais o mesmo após O Pasquim, e seus 40 anos estão aí para comprovar.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

65 anos do Velho Francisco


Nada mais justo que homenagear aquele que é um dos maiores representantes da cultura brasileira. Francisco Buarque de Hollanda completa hoje 65 anos de uma vida permeada por uma produção artístico-cultural inigualável. Foram 23 álbuns gravados - do primeiro, Chico Buarque de Hollanda volume 1 de 1966, ao último, Carioca de 2006 -, quatro peças de teatro, uma novela - a pouco conhecida Fazenda Modelo, publicada em 1974 - e quatro romances, sendo o último, Leite Derramado, lançado este ano.

Sua obra tornou-se incontestável por sua construção literária nas letras, sobretudo pelo engajamento político, colocando-se contrário à Ditadura Militar no Brasil, o que acabou rendendo-lhe uma dura perseguição por parte daquele governo.

O Velho Francisco - nome pelo qual entitulou uma de suas mais famosas canções, do álbum Francisco de 1987 - enquanto assoprar merecidamente suas 65 velinhas, nossa cultura permanecerá feliz e agradecida.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Fim do diploma, não do jornalismo

Foi derrubada hoje, dia 17, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), a liminar que garantia a obrigatoriedade do diploma de jornalista. Por oito votos contra um, o ministros do Supremo decidiram extinguir a garantia de valorização da profissão - como diz acreditar o ministro Gilmar Mendes, cujo argumento consiste em defender a manutenção do princípio da Liberdade de Imprensa e Expressão.
Tal incoerência deve ser analisada sob o ponto de vista de qual liberdade de expressão? Podemos afirmar que esta questão foi colocada para um debate democrático entre os envolvidos nos meios midiáticos, sobretudo os jornalistas? Aonde há maior interesse por esta escolha? Se Medicina, Engenharia, e Advocacia têm seus estatutos e diretrizes preservadas por quê não o Jornalismo?
Todos aqueles que foram e os que ainda são estudantes de jornalismo não podem entender esta decisão como algo cerceador da livre expressão, mesmo porque, é temeroso atrelar-se à tal justificativa se levarmos em consideração a responsabilidade que representa lidar com a veiculação de informações, utilizadas para a construção da opinião pública.
Com a regulamentação, o jornalista teria seu devido reconhecimento, o qual não será mais possível com a medida adotada hoje.
Tal valorização calharia com uma sociedade mais atenta às suas questões mais relevantes, sobretudo seu Poder Judiciário, pelo qual deu um tiro no próprio pé ao tentar exterminar todo e qualquer resquício do período militar.
Pode ser o fim da exigência do diploma, mas não do jornalismo.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

O Futebol-Arte não morreu


Primeiramente gostaria de me desculpar aos leitores deste blog. Nada que justifique tal ausência, de qualquer forma está feito o pedido.
Na tarde desta quarta-feira, dia 27 de maio, os amantes do futebol tiveram uma mostra do futebol arte. Em jogo disputado no Estádio Olímpico de Roma, Barcelona e Manchester United fizeram uma final memorável. Com um futebol primoroso, Messi mostrou que, se for analisado o momento, o argentino é o melhor do mundo. O camisa 10 azul-grená não só demonstrou ser um craque frente a outro ícone em campo, Cristiano Ronaldo do Manchester , mas sobretudo que é um jogador diferenciado por colocar a produtividade a serviço do coletivo, da equipe. Ronaldo mais uma vez falha, atestando arrogância e individualismo, atributos dos quais não caem bem a um grande futebolista.

Parabéns a Pepe Guardiola, ex-jogador, um grande zagueiro, diga-se de passagem, o qual consegue igualar feito de Miguel Muñoz, Giovanni Trapattoni, Johan Cryuff, Carlo Ancellotti e Frank Rijkaard, todos campeões como jogadores e treinadores. Não podemos deixar de congratular os brasileiros que estiveram nesta brilhante campanha catalã. Os laterais Daniel Alves e Sylvinho apresentaram bom futebol ao longo do certame, principalmente o primeiro, que justifica seguidas convocações do técnico da seleção brasileira Dunga.

E claro, parabéns ao Barcelona, campeão europeu pela terceira vez, provando à Europa e ao mundo ser perfeitamente possível ser campeão jogando um futebol bonito.